quarta-feira, 30 de maio de 2012

PANTANAL – DUQUE DE CAXIAS


O bairro Pantanal no município fluminense de Duque de Caxias, está localizado em seu 2º Distrito que têm como sede o bairro de Campos Elíseos, famoso por sua refinaria (Reduc), segunda maior do país. Porém é preciso ressaltar que devido ao imenso vazio que há na ocupação humana na região, em virtude da existência de terras alagadas por estarem entre as sub-bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e Sarapuí, a partir da ferrovia do ramal de Saracuruna, no bairro histórico do São Bento, por isso o Pantanal sempre esteve mais ligado ao 1º Distrito que têm como sede o Centro do município, sobretudo devido sua aproximação com o bairro Gramacho e sua estação de trens. O nome do bairro está associado diretamente a sua geografia, marcadamente composta por terras alagadas pela sub-bacia hidrográfica do rio Sarapuí, que nasce em Bangu na Zona Oeste da capital fluminense, drena grande parte da Baixada Fluminense - Nilópolis, Mesquita, São João de Meriti, Belford Roxo, até que nas terras duquecaxienses desemboca no maior rio da região, o rio Iguaçu, entretanto a topografia existente no bairro não é homogênea, por apresentar uma série de pequenas elevações. O Pantanal é divido nas localidades de Vila Rosário, Vila São José, Abc, Morro do Sossego e Jaqueira. 





A realidade histórica e social do bairro não é marcada por interesse de pesquisadores e de seus próprios moradores, que em sua grande maioria é formada por trabalhadores e gente simples – muitos retirantes do nordeste brasileiro, Minas Gerais e do Norte Fluminense. Podemos definir como três momentos históricos; o primeiro foi a construção do Solar da Marquesa, ou Castelo da Marquesa de Santos, amante do Imperador D. Pedro I. Mas para alguns esse castelo não passa de imaginário popular, pois o que havia no morro da Vila São José não passava de um engenho.

“... O castelo ficava numa pequena elevação, às margens do Rio Sarapuí, atualmente denominado Pantanal, na Vila São José, distante uns cem metros da sede do sítio onde residiu o ex-deputado Tenório Cavalcanti em seu auto-exílio. Aliás, na casa do Sítio São José, ainda podemos ver dezenas de ladrilhos portugueses recolhidos das ruínas do Solar da Marquesa, além de algumas belíssimas colunas de pedra, artístico trabalho de cantaria.” (LAZARONI, 1990:79)





O segundo momento refere-se à construção da antiga Rio-Petrópolis na década de 1920, sendo inaugurada em agosto de 1928, hoje praticamente abandonada com suas obras de duplicação arrastando-se desde 2005, deixou de ser Av. Presidente Kennedy para ser chamada de Av. Governador Leonel Brizola (RJ101).


“A estrada Rio-Petrópolis atravessando a Baixada Fluminense, vai ao km 17.950 passa por uma ponte de cimento sobre o rio Sarapuí atravessando o 8º Distrito de Caxias ao 1º de Nova Iguaçu.”  (PERES, in: Tôrres, 2004:79)

Em terceiro, temos por fato na década de 1950, fortes chuvas que resultaram em alagamentos, entre os anos de 1958 e 1959. Segundo relatos da memória social local,muitos desabrigados, moradores oriundos do 1º Distrito do município instalados no “mangue”, ou seja, nas terras baixas próximas ao rio Meriti, portanto com grandes chances de novas enchentes,após um período morando de forma precária e de improviso. Foram assentados no que hoje é a chamada Vila São José, ou simplesmente “vila”, ou ainda “vila do Tenório”.  A Vila São José com os seus 20 becos (ou ruas) foi construída para ser um conjunto habitacional destinado a gente humilde de Caxias, porém logo caiu nos tentáculos políticos do “homem da capa preta” – como Tenório (Natalício Tenório Cavalcante de Albuquerque) ficou conhecido. O povo só passou a ser dono de fato de suas residências após o ostracismo político de Tenório, com sua cassação pela ditadura militar, entretanto continuou a participar da vida política de Duque de Caxias, através de seu genro Hydekel de Freitas.  Aliás, esse tipo  de fenômeno político e social, o coronelismo, requer um novo texto devido sua extensa presença na vida política do Brasil. 



Problemas Sociais 
    




• O Pantanal como qualquer outro bairro da periferia do Brasil é uma localidade que apresenta dados assustadores, mesmo pertencendo a segunda cidade fluminense em arrecadação, e que se destaca entre as 10 maiores no ranking nacional dos PIB’s municipais, em um universo de mais de 5.000 municípios brasileiros, sendo a cidade fluminense que mais gera empregos. O município de Duque de Caxias já ocupou a terceira posição entre os municípios brasileiros que mais exportam, ficando atrás somente de São Paulo e São José dos Campos. Um bairro de uma cidade rica, com um povo pobre!

• Por minha própria experiência devido ao fato de sempre ter residido em D.Caxias, ao longo dos meus 25 anos, onde 18 anos foram no Pantanal, conheço na carne a realidade desse lugar.  Na área educacional temos unidades escolares administradas pelo estado e pelo município. O primeiro construiu dois Ciep’s  na década de 1980 e talvez por isso visivelmente assistimos todos os dias alunos do bairro estudando em escolas estaduais fora da comunidade, e também é preciso destacar as turmas superlotadas nas escolas do bairro.Na esfera municipal contamos com quatro unidades de ensino ( e nenhuma creche), onde a Escola Municipal Maria Clara Machado funciona precariamente por improviso no velho prédio com +/-50 anos do extinto Educandário Maria Tenório.



• O bairro sofre ainda com ruas esburacadas, falta de organização e sinalização no fluxo do trânsito; as calçadas são tratadas como extensão de suas propriedades por parte dos comerciantes e moradores, sem conservação, com falta de padronização o que em tese impossibilita o deslocamento de idosos e portadores de necessidades especiais. Os bares ou barracas fazem das calçadas salão para uso de seus fregueses, cabendo a população caminhar junto aos carros, sem falar no barulho independente do horário e do dia da semana. É muito comum encontrarmos lixeiras nas ruas, vazamentos nas tubulações da CEDAE, sem falar do livre deslocamento de animais de todo tipo de porte sem o menor controle.  É visível de se constatar o crescimento desordenado, sem fiscalização ou controle do poder público, ocupando-se assim ribanceiras e margens de rios, com graves consequências no verão.





• Esse ano assistimos o avanço da especulação imobiliária no bairro, com o inicio das obras de construção dos condomínios na região conhecida como “Sete Campos” ou ainda “Barrinho”. A iniciativa de construção de unidades habitacionais é excelente, até mesmo porque abrindo todas as ruas que terminavam no “barrinho” facilitará o fluxo dos moradores da localidade, pois até os dias atuais aquele gigantesco terreno tomado de mato exercia um grande condicionamento social ao bairro, porém estão ocorrendo situações que poderão trazer impactos para a comunidade local, em pouco tempo, e ninguém diz nada. O primeiro deles é a remoção de barro do morro localizado atrás da chácara do Tenório, como ficarão os moradores residentes no morro com essa retirada de aterro? Segundo, quem fará o concerto do asfalto destruído pelas ruas do bairro, devido ao intenso e pesado fluxo de caminhões?  Como ficará nas épocas de chuvas, leia-se no período que vai de novembro a março, os moradores cujo suas residenciais estão localizadas nas terras baixas entre a Rua Rouget Lisle, e o chamado “Barrinho”, por serem de fácil inundação como ocorreu em dezembro de 2010? Prova dessa facilidade em alagamentos é que a construtora responsável pela execução da obra aterrou todo o canteiro de obras. Como ficará a crescente demanda por água no bairro com o crescimento da população?



• Todos esses fatores aqui citados devem ser debatidos, pois tudo foi feito sem consulta aos moradores da localidade, ou seja, como os moradores são pessoas em sua grande maioria leigas, simples e humildes, portanto pertencentes às chamadas "minorias sociais", não devem ser respeitados, essa é a lamentável mentalidade que vigora. A população deve sim procurar sua participação no dia-a-dia da localidade, participando das deliberações, pois ser minoria social não é desculpa para se negar a participar da arena e do debate político, afinal decisões refletem na vida de todos. Tomemos como exemplos a população indígena da Bolívia, as mães da praça de maio na Argentina, e os últimos acontecimentos que resultaram na queda de históricas ditaduras no Oriente Médio e no Norte da África.





• O morador do Pantanal deve saber, sobretudo, exercer seu papel de cidadão, e não trocar seu voto pelo que há de mais atrasado, por festinhas realizadas em praças que são públicas, por apoios em ações das Igrejas. Não se deixem levar mais uma vez por promessas feitas pelos politiqueiros de plantão, o cidadão não precisa de intermediários entre ele e o poder público, pois é cidadão e deve ser respeitado e ouvido. O papel constitucional do vereador não é fazer obras, e nem pode fazer, pois não pode gerar gastos ao aos cofres públicos, quem faz obras é o chefe do poder executivo, ou seja, prefeito, governador e presidente. É preciso que busquemos renovação política, chega de mais do mesmo!




 • A água sempre foi um problema terrível na comunidade. Não há saneamento básico! O que há é a canalização dos esgotos até valas e canais que levam todo o esgoto ao rio Sarapuí, ou seja,  nem sequer uma única gota de esgoto é tratada. O fornecimento de água potável pela CEDAE é precário, geralmente ocorre apenas em anos eleitoras, restando ao morador o uso de poços artesianos, onde não há qualquer controle de qualidade da água consumida. Muitas das vezes as escolas são obrigadas a suspenderem suas aulas, pelo fato de não terem fornecimento de água.



• Na esfera da saúde simplesmente podemos afirmar que não existe qualquer iniciativa do poder público, seja ele qual for, pois não há postos de saúde, nem ao menos as caixas de ferro milionárias que são as UPA’s. Assim resta a população local recorrer em tempos eleitoras aos chamados “centros sociais” dos políticos de quinta categoria de plantão no lugar. Um morador do Pantanal para obter atendimento médico só possui três alternativas: pagar em um hospital ou clínica particular; dormir na porta dos precários hospitais públicos existentes no município, seja ele estadual ou municipal; ou ainda é possível recorrer aos hospitais da capital fluminense, onde também são obrigados muitas das vezes dormir ou amanhecer em filas para serem atendidos. No 3º e 4º distritos a população recorre aos municípios vizinhos de Magé e Petrópolis.







• Já que falamos dos poderes executivo e legislativo em Caxias, quanto gestão municipal atual, assim como todas as outras do passado é um desastre absoluto no que diz respeito ao planejamento administrativo; o (des)governador fluminense com nicho de subprefeito carioca, levou de Caxias nas últimas eleições algo em torno de 80% dos votos, para nada fazer na cidade, e ainda assim têm nas mãos todos os inúteis deputados com base política no município, e o próprio prefeito. Uma gente que “vive da política” e não “para a política”, seus atos na vida pública são apenas com o intuito de obterem vantagens pessoais, sobretudo porque a política lhes dá a chance de lavarem suas cidadanias. Por isso é que não estão nem aí para o sofrimento do povo,não temos segurança pública, uma secretaria de ação social séria e forte com ações para orientar nossos jovens, que estão vulneráveis aos narcóticos, a criminalidade, as gestações precoces, aliás essa pasta em Caxias só serve mesmo para dar de presente a mulher de quem interpreta o papel de governo ao logo do tempo, seja quem for.  Com todos esses fatores ainda têm gente que fala da Região Nordeste ou ainda da África, não se pretende minimizar o sofrimento dos irmãos dessas regiões, porém quando saio de casa percebo que temos muito em comum, ou seja, falta de perspectiva de vida. Um bairro grande como o Pantanal não possui uma área de lazer decente. E a Igreja como instituição inserida no contexto social terreno, também pode fazer a diferença, como exemplos temos: o alemão Martin Lutero, o norte-americano Martin Luther King, os brasileiros e moradores da Baixada Fluminense, João Cândido (metodista) e Solano Trindade (presbiteriano).  






3 comentários:

Luiz Paulo Correia disse...

Muito bom! Resido lá e conheço muito bem!

Jessica Carolina Filoso Vieira Guerra disse...

Paulo gostaria de saber o endereço correto das obras habitacionais dos condomínios “Sete Campos” ou ainda “Barrinho”.obrigada.

Joca Paulino disse...

Gostaria que vocês mandassem fotos da Rua Kemal Pacha, no lote 23 quadra 14.