quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Reserva Biológica do Tinguá - Nova Iguaçu





Como poucos sabem, 30 de Abril é por Lei Estadual - DIA DA BAIXADA FLUMINENSE (LEI Nº 3.822, de 02/05/2002). Esse ano o Campus Multidisciplinar da UFRRJ realizou uma semana de atividades em comemoração a essa data. Assim eu pude finalmente após muito tempo conhecer a Reserva Biológica do Tinguá, em Nova Iguaçu, porém é preciso ressaltar aqui que ela também abrange territórios de outros municípios fluminenses. São eles: Duque de Caxias, Miguel Pereira e Petrópolis.




Eu confesso que estava morrendo de medo de não poder realizar esse sonho devido ao tempo chuvoso da semana. Mas resolvi encarar... Saí de Piabetá em Magé, ainda de madrugada fazia muito frio e a chuva não parava, peguei um ônibus da Viação União com destino a Av. Brasil, onde fiquei no trevo das margaridas (Cidade Alta - Cordovil). Lá embarquei em um ônibus da Viação Blanco até o viaduto do bairro da Posse, em Nova Iguaçu, mas sempre encarando muita água.





Ao chegar no Campus da UFRRJ, eu e outros expedicionários fomos informados que o trabalho de campo estava assegurado pois em Tinguá não estava chuvoso. Fomos nós... Chegando em Tinguá paramos para comer, ir ao banheiro, conversar e aguardar a funcionária do IBAMA que nos guiaria. Logo na entrada da reserva tivemos uma palestra. O mais interessante foi ver tantas paisagens lindas de uma Baixada Fluminense repleta de belas cachoeiras, fauna, muito verde, pouco conhecida em totalidade, mas muito discriminada.



SOU DA BAIXADA FLUMINENSE, AMO ESSA REGIÃO!!!!!!




http://www.forumculturalbfluminense.org.br/diadabaixada.html
www.ipahb.com.br



Guapimirim - "A Terra do Dedo de Deus”.



Era o dia 5 de fevereiro de 2011, um típico sábado quente do verão fluminense, após várias tentativas finalmente me foi possível conhecer o belíssimo Município de Guapimirim, na Baixada Fluminense - “A Terra do Dedo de Deus”. O município é muito agradável com apenas pouco mais de duas décadas de emancipação política e administrativa. Esse passeio só foi possível graças aos conselhos de Amiga Marilene Vargas, professora e moradora da cidade.





Eu passei a noite no Pantanal, Município de Duque de Caxias, por achar que ficaria mais fácil encontrar a turma, porém não estava com muito sorte. Ainda no bairro do Corte 8 peguei um trânsito terrível devido a um acidente próximo a antiga fábrica textil união, mesmo descendo do coletivo e caminhando não deu tempo para pegar o trem na estação de D.Caxias, que nos possibilitaria baldiar para o trem do ramal Guapimirim em Saracuruna.




Ao chegarmos em Saracuruna, o trem com destino Guapimirim havia partido, e como o próximo só... rs... Nossa única opção foi caminhar até a rodovia Rio-Magé, onde foi possível embarcar em um ônibus lotado da Viação Reginas rumo ao nosso destino ou paraíso. Após os limites territoriais de Duque de Caxias e Magé (Rio ou canal Imbariê), há uma praça de pedágio em Bongaba, desse ponto em diante entramos na antiga Rio-Teresópolis (atual Rod. Santos Dumont). Em Bongaba é possível ver a Iª Estrada de Ferro do Brasil, inaúgurada em 30 de abril de 1854 pelo então Barão de Mauá; ainda na região temos o Porto da Vila Estrela, local pelo qual passou boa parte do ouro proveniente de Minas Gerais no século XVIII através do Caminho Novo (Variante de Proença ou Caminho do Inhomirim datado de 1724.). O município fluminense de Magé é dos mais antigos da Bacia da Guanabara com quase 500 anos de ocupação, porém mesmo assim é extremamente verde. Encontramos muita mata atlântica, maguezal, pastos e pequenos povoados como o bairro de Santa Dalila.





A cobradora do ônibus nos indicou o ponto da estação no Centro de Guapimirim, onde ficamos, pedimos informações e partimos. Ressalto que a população sempre nos tratou com muita cordialidade. Eu particularmente adoraria morar em Guapimirim - “A Terra do Dedo de Deus”. Então encaramos +/- 2h de caminhada pela Estrada do Sertão até o bairro da Barreira, nessa estrada encontramos lagartos grandes, sítios modestos e de luxo, mas o que choca sobretudo é o verde opulento da Serra dos Órgãos, e as vezes trechos do Rio Soberbo (acredite, considere esse nome!). O que mais nos atrapalhou não foi o terreno ou a distância, e sim o calor. Ao chegarmos na localidade da Barreira, ficamos na cachoeira da pedra do escorréga - rio soberbo. O paraíso na terra! Guapi é uma cidade bela! Nosso dia, meu, Júnior e Daniele foi agradável mesmo a última pessoa aqui citada não tendo permitido aqui todas as fotos tiradas. Nesse dia estavam presentes no local os membros da Igreja Assembléia de Deus do bairro Vista Alegre - Município de São Gonçalo. Pessoas maravilhosas!!! O local é do tipo que quando estamos esquecemos da vida, e não temos vontade de retornar ao dia-a-dia da vida tão corrida.















segunda-feira, 11 de julho de 2011

Conhecendo Barra de Guaratiba e praias selvagens












Essa aventura se deu em um típico dia escaldante de verão fluminense. Após chegar ao Centro de Duque de Caxias, embarquei em um ônibus da Viação Expresso com destino ao bairro de Campo Grande, Município do Rio de Janeiro. Eu havia pedido ao motorista para me avisar quando estivesse próximo da estação de Campo Grande, porém ele quase acabou com o meu dia e passeio, graças a Deus percebi que já estava saindo do referido bairro de destino. Então após caminhar alguns minutos, finalmente encontrei minha amiga Tatiana Guimarães, aguardamos por alguns minutos até a chegada dos amigos Júnior e Carla.
Após comprarmos água e frutas, pegamos uma van com destino ao bairro de Barra de Guaratiba, durante o percurso avistamos desde bairros simples habitados por operários\trabalhadores até áreas despovoadas e estradas cercadas por manguezais, ou seja cruzamos toda a Zona Oeste carioca. Após breve visualização da Restinga de Marambaia, atravessamos todo o calçadão da Praia de Barra de Guaratiba, percorremos algumas ruas e ladeiras do bairro, até que só havia mata e o belíssimo visual do oceano diante de nós, por aproximadamente uma hora e meia, tempo de nossa caminhada. O bacana do trajeto é ver mesmo que de longe a Praia do Perigoso e a Ilha da Tartaruga.
Essa trilha nos chamou a atenção pela quantidade de arbustos repletos de espinhos. O sol apesar de nos ter possibilitado o passeio, foi impiedoso, mas chegamos em nossa primeira praia maravilhosa, que para ter acesso ainda foi preciso vencer uma corda nas rochas. Porém a Praia do Meio é simplesmente linda, onde podemos ver o encontro da Mata Atlântica com a vegetação do tipo restinga. Ressalto ainda que deste ponto existem avisos informando da presença de cobras peçonhentas. Nossa presença foi rápida, quase de passagem na Praia do Meio, após pegamos a mata novamente, onde a Carla ficou procurando os maracujás. Logo estávamos na Praia Funda, que é a pior no que tange acesso pois tivemos de nos locomover sentados e nos arrastando pelas rochas, somando esse terrível fator ainda tínhamos de enfrentar os espinhos da vegetação. Lá descansamos por alguns minutos e logo nos dirigimos para a última praia, que aliás é a mais bela das “chamadas praias selvagens”. A Praia do Inferno possui um nome bem sugestivo para o local, pois lá o mar não é tão calmo, basta ver as rochas massacradas por suas ondas, porém ressalto que p local é belíssimo e não nos permite pensar em voltar para casa.
Em nossa aventura optamos por permanecer na Praia do Meio devido o acesso e a distância do bairro mais próximo, embora de todas a melhor seja a Praia do Inferno, por apresentar uma fonte potável. Nossa tarde foi maravilhosa na Praia do Meio com suas gaivotas, suas águas de tom azul-esverdeado (ou verde-azulado) e sempre transparentes. Ideal para acampar e fugir da selva barulhenta da metrópole. Eu de negro estava vermelhão ao final do dia em Barra de Guaratiba, onde o pessoal foram em busca de banho, porém não havia mais água em um bar próximo. Antes de partimos comemos o popular “podrão” na praça do bairro, aliás nosso retorno foi terrível no ônibus da Viação Jabour. Porém quero afirmar que estou louco para voltar as chamadas “praias selvagens” de Barra de Guaratiba. Valeu amigos aventureiros de ciências sociais – UERJ (2006).

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Esse (des)governador canalha, neoliberal, político profissional... governador fluminense com nicho de subprefeito carioca, simplesmente odeia o funcionalismo fluminense. Jamais esquecerei quando madou a PM atirar nos professores do Estado, alguns aposentados que após anos de serviços prestados ao povo fluminense... assim como o bombeiros são tratados como marginais. Lembro ainda que o Estado do Rio de Janeiro é composto por 92 municípios e não apenas pela capital, talvez seja ótimo mesmo Cabral não conhecer nada para além da bacia da baia de guanabara, pois só o vejo apoiando os donos dos meios produtivos em detrimento de quem não tem "eira, nem beira", quem não é de família tradicional, ou ainda não pertence aos grupos de exterminio. Ressaltando que esse tratamento deveria ser dado aos políticos profissionais do PMDB e de seus apêndices que estão roubando o povo fluminense. Gostaria de saber cadê os quadros de 'esquerda' que dão suporte a esse nefasto (des)governador em nome de um "projeto maior". Cadê os neocorporativista que firmaram uma parceria com Cabral desde 2006? Sérgio Cabral merece uma morte digna dos porcos!!! Cadê os seguintes partidos de esquerda: PT, PDT, PSB, PCdoB? Eu sei aonde estão! No bolso do Cabral e do capital, do neocorporativismo petista.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os trens fluminenses




No dia 30 de abril de 1854 foi inaugurada a primeira ferrovia do Brasil, ligando Guia de Pacobaíba (hoje Mauá) a localidade de Vila Inhomirim ou Raiz da Serra, Município de Magé. Data pelo qual é comemorado o Dia da Baixada Fluminense (Lei Estadual N° 3.822, de 02/05/2002). Em 1858 é inaugurada a Estrada de Ferro Pedro II (hoje Central do Brasil), atingindo Machambomba (atual Centro de Nova Iguaçu), Queimados e Japeri. Em 1876 é inaugurado um novo trecho ferroviário (Estrada de Ferro Rio D' Ouro – A Ferrovia da Águas), com o intuito de transportar dutos de ferro para abastecer a Corte, com os mananciais da Serra do Comércio, São Pedro (hoje Jaceruba), Tinguá e Xerém (atual Reserva Biológica do Tinguá). Uma vez que a cidade do Rio de Janeiro sofria com o desabastecimento de água. Em conseqüência a Baixada Fluminense perdeu grande parte de suas matas, devastadas para o fornecimento de carvão e lenha para as locomotivas. Sem falar dos altos índices de óbitos entre os trabalhadores que ao morrerem tinham seus corpos queimados, daí a suposta origem do Município de Queimados (Cemobafluminense). Conforme as locomotivas faziam suas paradas para o abastecimento de carvão, foram surgindo vilas que posteriormente foram elevadas à categoria de distritos, até que alguns foram transformados em municípios, porém somente em 1883 em caráter provisório começam a circular os primeiros trens de passageiros. Em Vila Merity (atual Centro de Duque de Caxias) chegariam apenas em 1884.



Com a política do "bota tudo abaixo" do então Prefeito Pereira Passos, as terras dos subúrbios cariocas, e da Baixada Fluminense recebem boa parte desse excedente humano, somado a chegada de retirantes de todas as partes do país, transformando esses bairros e municípios em cidades operárias. Na época a Baixada Fluminense era composta apenas pelos municípios de: Magé, Itaguaí, Paracambi, e Nova Iguaçu, onde grande parte de sua força de trabalho realiza um movimento pendular com o Município do Rio de Janeiro diariamente, situação agravada após a crise da citricultura no pós-guerra. É possível verificar a inter-relação entre a metrópole carioca e a Baixada Fluminense, a partir das noções de apropriação e dominação, tendo a reprodução do espaço como pano de fundo. A cidade do Rio de Janeiro com seus mais de 6 milhões de habitantes recebem toda sua água da Baixada Fluminense através do Rio Guandu que tem suas águas engrossadas através da captação de água do rio Paraíba do Sul e da represa de Piraí. Hoje apenas 40% da Baixada Fluminense possui acesso à água tratada fornecida pela CEDAE, embora forneça água para o Rio de Janeiro desde o século XIX. A maior violência na região ocorre contra sua própria população que enfrenta trens lotados e sujos e ônibus mal conservados que os despeja aos milhares na Central. De certa forma é possível afirmar, como fez Barreto (2007) em "Baixada Fluminense: antigas imagens, novas representações", que os meios de transporte que interligam o Rio e a Baixada Fluminense (trem, metrô, e ônibus), sempre lotados, possibilitam uma "co-presença" entre os moradores das duas localidades. Ou seja, até por questões sócio-históricas, a Baixada Fluminense nada mais é do que a continuação dos subúrbios cariocas. Os municípios dessa microrregião são células urbanas integradas ou anexadas ao Rio de Janeiro através do aperfeiçoamento dos ainda precários sistemas de transportes da capital.



Assistimos nos últimos dias a revolta popular dos passageiros do sistema ferroviário da Região Metropolitana. Uma população que não suporta mais o descaso e os maus tratos praticados pela SuperVia e pelo Governo Fluminense, responsável pela concessão do serviço ferroviário. Mesmo após uma década de privatização os ramais de: Saracuruna – Guapimirim e Saracuruna – Vila Inhomirim (ou Raiz da Serra) ainda operam movidos a óleo diesel. O (des)governador Sérgio Cabral (PMDB) diga-se de passagem um governador fluminense com nicho de subprefeito carioca, antes de chamar os usuários de vagabundos deveria fiscalizar a SuperVia, que aliás tem como advogada a sua esposa Adriana Anselmo. A SuperVia que assumiu os trens do Rio de Janeiro na década de 1990 quando o Estado do Rio de Janeiro era governado (ou desgovernado) por Marcello Alencar (PSDB) e aqui no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral presidia a ALERJ (PSDB), assim foi extinto o sistema fluminense – CBTU. Atualmente o Governo Fluminense compra os trens e reforma estações, cabendo a SuperVia levar o dinheiro arrecadado para o exterior em seu país de origem. Um grande exemplo de sucesso das políticas neoliberais.



O canalha Sérgio Cabral ao invés de melhorar os transportes na Baixada Fluminense e na Zona Oeste preferiu criar linhas de ônibus ligando a Baixada Fluminense à Barra da Tijuca, com o intuito de levar mão-de-obra e desqualificada (ou barata) para atender a construção civil e a especulação imobiliária das empreiteiras, outras empresas e trabalho doméstico. E principalmente beneficiando o cartel das empresas de ônibus que já monopolizavam o transporte na Baixada Fluminense e Zona Oeste. Quando dados do próprio governo dão conta que a transformação da malha ferroviária da Região Metropolitana em metro de superfície custaria menos da metade dos recursos destinados a construção do metro da Barra da Tijuca, pois já existem o trilhos caberia assim algumas transformações e comprar composições. Vale recordar a perseguição sofrida pelos profissionais do transporte alternativo, com uma desculpa tão lavada do envolvimento desse setor com grupos armados, agora não se fala dos "seguranças" das empresas de ônibus. situação dos trens no Rio de Janeiro.



Até quando a Baixada Fluminense continuará fornecendo água potável, mão-de-obra e tantas coisas mais para o Rio de Janeiro e, em troca recebendo lixo, descaso e abandono por parte do poder público? O Estado que age de forma truculenta para agradar aqueles interesses mesquinhos, que pregam o recrudescimento das leis contra quem não tem "eira nem beira", contra quem não é de família tradicional ou não detém os meios de produção. Na verdade esses ramais que vão até os municípios mais distantes (Magé e Guapimirim) estão sempre reduzidos a sucata. Na minha opinião, corrijam-me se estiver errado, é que se o sistema funcionasse corretamente, grande parte daqueles ônibus que chegam ao Rio pela Av. Brasil não seriam necessários. Os usuários apenas querem um transporte seguro, pontual e que a concessionária os trate de forma digna e sobretudo humana. Só na cabeça de Sérgio Cabral (PMDB) "vagabundo" acorda as 4 da manha para pegar trem ou ônibus.



Essa mesma mídia que recebeu mais de 450 milhões de publicidade do (des)governo Sérgio Cabral, muito antes da grande mídia usar de forma sensacionalista a situação do transporte ferroviário fluminense. O Poeta Negro Solano Trindade que como muitos nordestinos, foi morar no Rio, radicando-se em Duque de Caxias e posteriormente em Realengo, ficou sensibilizado com a realidades dos trabalhadores nos trens. Assim em 1944 escreveu o livro "Poemas de Uma Vida Simples", onde encontramos o seu declamadíssimo "Trem sujo da Leopoldina". "Assim quando o poeta pode perceber, que o trem que levava os trabalhadores de volta as suas casas depois do dever, cansados, músculos e estômagos com dores, denunciava entre ferragens e vapores".



Ah! Quantas caras tristes querendo chegar, em algum destino, em algum lugar. Trem sujo da Leopoldina, de novo a correr, de novo a dizer. Tem gente com fome... Só nas estações, quando vai parando lentamente começa a dizer, se tem gente com fome, dá de comer, se tem gente com fome , dá de comer, se tem gente com fome , dá de comer. Mas o freio de ar, todo autoritário manda o trem calar. Psiuuuuuuuuuu !!!!”.








segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Travessia Alto da Serra - Raiz da Serra, através de uma variante do Caminho do Ouro.



"Ergue o corpo, os ares rompe,
Procura o Porto Estrela,
Sobe a serra, a se cansares,
Descansa num tronco dela.

Toma de Minas a estrada,
Na Igreja nova, que fica
Ao direito lado, e segue
Sempre firme a Vila Rica".

Poema Marilia de Dirceu - lira XXXVII
(http://mirindiba-ipcca.blogspot.com/)



O bairro mageense de Raiz da Serra, conhecido também como Vila Inhomirim, lá eu passei muitas férias durante minha infância... bons momentos! Esse bairro é por três fezes um patrimônio. Em Raiz da Serra ou Vila Inhomirim, encontramos patrimônios materiais-históricos (prédios, estação de trens e Caminho do Ouro); patrimônios naturais (cachoeiras, montanhas da Serra da Estrela e densa mata) e patrimônios imateriais (manifestações religiosas). Tenho lá alguns parentes, porém sempre fiquei na casa de Dona Maria Ismael.

"Algumas vilas e cidades menos felizes, nascidas à beira de rios e no marco zero das estradas que parte para a cordilheira, brilham por alguns decênios e logo desvanecem. Assim acontece com Iguaçu, Pilar, Estrela, Inhomirim, e Porto das Caixas..." ¹

Esse bairro aparentemente parou no tempo, com seu clima pacato, com seus moradores sempre gentis e receptivos! Não é à toa que o Barão Von Lagsdorff, botânico, naturalista e cônsul do Império Russo, escolheu para morar no século XIX em suas terras (Fazenda Mandioca) trabalhavam em suas terras colonos alemãs recém chegados ao Brasil. Outro local que merece destaque por lá é antiga Fazenda Cordoaria, que desapropriada por D. João VI para posterior implantação da fábrica de explosivos do exército imperial brasileiro, inclusive de lá saiu boa parte da produção do esforço do Império na Guerra do Paraguai (1864-1870).



"Silêncios sincopados de expectativas com os murmúrios intermitentes que pervagam. Rumores de seres que rastejam, que escorregam, que esvoaçam..." ¹

"Se o olhar desce para o chão suspeita os botes do invisível: a cobra enrolhadilha. O inseto inipresente..." ¹



Na estação de trens de Raiz da Serra ainda é possível encontrar as ruínas da antiga estação, porém poucos sabem que essa ferrovia é a primeira do Brasil, construída por iniciativa do Barão de Mauá, inaugurada no dia 30 de abril de 1854, data pelo qual é comemorado o Dia da Baixada Fluminense. Em 1852 tem-se inicio a construção da estrada mais moderna da época conhecida atualmente como Estrada União e Indústria, ou popularmente como Estrada Velha da Estrela (RJ-107).



No século XVII o ciclo do ouro, substitui o ciclo da cana-de-açúcar como principal produto do Brasil Colônia. Até então a capital da colônia estava situada na cidade de Salvador. Devido à mudança da principal atividade econômica, ou seja, do produto explorado, a capital da colônia fora transferida para o Rio de Janeiro, pois esta fica mais próximo das minas de ouro, assim a metrópole tinha maior controle e segurança do ouro extraído das Gerais.



Em território fluminense inúmeros foram os caminhos ligando a capital da colônia com Minas Gerais, valendo destaque aqui:
• "Caminho Velho" ou "Caminho dos guianazes", em meados do século XVI o litoral sul-fluminense recebeu atenção da coroa portuguesa devido às noticias de ouro nas Gerais. Porém esse caminho além de ser muito extenso, também era perigoso, pois após o embarque do ouro e de outras mercadorias rumo ao Porto do Rio de Janeiro, expunha as embarcações a ação de piratas e corsários na baia de Angra dos Reis.
• "Caminho Novo" ou "Caminho do Pilar" ou ainda de Garcia Rodrigues Pais, aberto entre 1699 e 1704 por este último. Esse caminho poderia ser feito tanto por terra ("Caminho de Terra Firme", atual Avenida Automóvel Clube), como pelas águas da baia de Guanabara. De barco pela baia era preciso adentrar pela foz do Rio Iguaçu e posteriormente adentrar por seu afluente o rio Pilar, onde havia o porto da vila de mesmo nome. Em terras da Baixada Fluminense, começava em terras do atual Município de Duque de Caxias (em seu segundo distrito) até transpor a Serra do Couto através de uma garganta onde vencia mais de 1.300m na atual localidade de Xerém (quarto distrito de Duque de Caxias). E dali alcançava o Rio Paraíba do Sul (na cidade de mesmo nome). O caminho novo foi utilizado por cerca de duas décadas pelo fato de ser muito íngreme o que facilitava assaltos e perda de mercadoria nos desfiladeiros da serra onde atualmente estão os municípios de Duque de Caxias e Miguel Pereira.
• "Caminho do Inhomirim" ou "Caminho de Proença" ou ainda "Caminho de Bernardo Soares de Proença" aberto entre 1723 e 1724 por este último. Este caminho tinha início no Porto da Vila de Estrela, município extinto cujo suas terras foram distribuídas entre os atuais municípios de Duque de Caxias, Magé e Petrópolis. Para fazer esta variante do Caminho Novo era preciso sair do cais dos mineiros na cidade do Rio de Janeiro, adentrar pelo rio estrela (recebe esse nome após o encontro das águas dos rios saracuruna, inhomirim e canal imbarie) e posteriormente entrar no rio inhomirim seu afluente. É preciso ressaltar que a bacia hidrográfica da Baixada Fluminense, recebeu intervenções durante a década de 1940 onde seus rios tiveram seus leitos retilinizados e modificados. Após desembarcar na Vila Estrela localizada a 6km da foz do rio, seguia-se por terra firme até a Freguesia de Inhomirim (atual bairro de Raiz da Serra) onde chegava-se a Serra da Estrela que após vencida alcançava-se a localidade de Córrego Seco (atualmente sede do Município de Petrópolis). Essa variante ao contrario do Caminho Velho que expunha o fluxo de carga as ações de piratas. E do Caminho Novo ou do Pilar que atingia a Serra em seu ponto mais alto, esse vencia algo em torno de 900m acima do nível do mar e estava protegido pelas fortalezas portuguesas localizadas na entrada da Baia de Guanabara. Segundo Torres, Bernardo Soares de Proença era morador de Suruí, no atual Município de Magé, devido à importância dessa variante o príncipe regente ainda em Portugal autorizou seu calçamento. A Variante de Proença possuía ainda sua própria variante conhecida como "Caminho da Taquara", essa por sua vez saía do chamado "Caminho de Terra Firme" (atual Avenida Automóvel Clube) próximo a Fazenda São Paulo, e seguia em direção a Petrópolis (no atual Bairro do Quitandinha) onde bifurcava-se com a Variante de Proença e com o Caminho do Imperador, esse último possibilitava o acesso aos atuais municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes.

"O mateiro é o descobridor de troncos, o selecionador de madeiras. Investe o homem cautelosamente, pois em cada moita há um perigo latente. A ameaça do invisível. Troncos roídos, camuflados de liquens onde o jararacuçu se enrosca..." ¹



Sou morador de Duque de Caxias e um apaixonado por tudo que tenha haver com meu município e a Baixada Fluminense, porém sabemos que há uma grande lacuna na historiografia brasileira (e em outra áreas também) no que diz respeito a Baixada Fluminense. Em 2008 resolvi fazer o curso de extensão sobre a história da Baixada Fluminense, o que aumentou meu interesse por essa região ( www.ipahb.com.br ); ( www.cemobafluminense.com.br ). E aí pesquisando na internet encontrei os blogs do Laércio  ( http://trilheirosilvestre.blogspot.com ), Débora Freire ( http://dehfreire.blogspot.com ) e Marcos Britto ( http://trekkbrazil.blogspot.com ). Conversa vai... conversa vem... Marcos e Eu, marcamos para percorremos a Variante de Proença ou de Inhomirim. Agendamos nossa aventura para o dia 01 de agosto de 2010 onde estavam presentes: Roberta (esposa do Marcos), e minhas amigas, companheiras de todas as horas da UERJ, Carla Romão, Daniele Fonseca e Juliana Ângelo. Foi muito agradável fazer a trilha que terminou com um banho de cachoeira.









Levantei bem cedo para encontrar Carla e Daniele no terminal Shopping Center no Centro de Duque de Caxias, lá embarcamos na linha Piabetá-D.Caxias, ficamos na localidade conhecida como: "entrada de Piabetá", ficamos aguardando por certo tempo, até que embarcamos em um ônibus que vinha de Piabetá para Petrópolis. No percurso até a cidade de Pedro, percorremos a Avenida Automóvel Clube e posteriormente a Estrada União e Indústria até o bairro do Alto da Serra, já em Petrópolis. Onde podemos desfrutar do belo visual serrano e a gigantesca planície fluminense, bem como a baia de guanabara. Chegando lá encontramos o casal Marcos e Roberta, que aliás gentilmente nos guiaram pelas trilhas até chegarmos novamente em Raiz da Serra, logo em seguida chegou a Juliana (de Bragança).

Então partimos... pegamos um trecho muito íngreme do leito do antigo trem de Petrópolis, cruzamos a Estrada União e Indústria, atravessamos uma enorme e bela ponte por onde passava o trem desativado na década de 1950, onde tiramos fotos. Continuamos descendo onde passamos por uma segunda ponte, mais a frente há uma bifurcação pavimentada por pedras, que na verdade é a continuação da antiga variante do Caminho do Ouro. Um pouco a frente nos deparamos com uma outra trilha (antes de chegar a terceira ponte do leito ferroviário) entramos por ela e um pouco a frente encontramos os primeiros vestígios do Caminho do Ouro, penetramos pela trilha sem cessar seguindo sua antiga pavimentação.

Em um determinado momento paramos por cerca de 10 minutos para descansarmos... a frente nos deparamos com caçadores na mata (armados) porém tudo não passou de uma conversa. Quase chegando em Raiz da Serra, escutei o barulho das águas do Rio Inhomirim, pegamos uma trilha e fomos até lá... pausa para o descanso e fotos. Continuamos descendo a trilha e logo estávamos em Raiz da Serra, acho que o percurso durou cerca de duas horas. Em Raiz da Serra fomos a um bar para descasarmos e beber refrigerante (exceto a Carla que não bebe refrigerante). Após um tempo... Marcos e Roberta embarcaram em um ônibus para Petrópolis e o restante da turma foi banhar-se na cachoeira (exceto a Juliana que não entrou no rio). Por volta das 16 horas Juliana retornou a Petrópolis e o restante da turma foi para D. Caxias, eu fiquei na Vila Rosário, Carla e Daniele foram para o Centro de Duque de Caxias. Quando percorremos a Variante de Proença, podemos verificar o lamentável abandono do IPAHN (órgão federal) e do INEPAC (órgão estadual), com esse patrimônio material de grande importância para o Brasil.

"A "Estrada do Comércio" não conseguiria entretanto abater Paraíba do Sul, devido ao "Caminho do Proença", o mais curto para o interior de Minas, que de Pedro do Rio ao norte de Petrópolis deixava o Piabanha, (...) O que seria o primeiro passo para a estagnação da vila de Garcia Pais, somente viria a concretizar-se com a grande estrada "União e Indústria", iniciada por Mariano Procópio em 1852, e construída entre Petrópolis e Juiz de Fora." ¹

Quando caminhamos pela antiga variante, aberta por Bernardo Soares de Proença em 1723, encontramos muitas trilhas paralelas que tanto levam em direção ao leito da Estrada União e Indústria como leva os aventureiros ao interior da densa mata, parece que uma dessas trilhas leva ao pico da montanha cabeça de negro. Existe uma certa confusão... pois os moradores da região identificam como Caminho do Ouro a União e Indústria, e identificam o verdadeiro Caminho do Ouro (em sua Variante de Proença) como "Caminho dos Mineiros". Recomendo também descer do Alto da Serra, em Petrópolis até Raiz da Serra em Magé, pelo leito da antiga ferrovia já fiz esse trajeto.

¹ LAMEGO, Alberto Ribeiro. O homem e a Serra.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

TRAVESSIA PETRÓPOLIS – MAGÉ




Era o dia 21 de abril de 2010 uma sexta-feira, Eu, Mariana Alves e Tatiana Guimarães, decidimos sair em mais uma aventura pela Serra da Estrela, dessa vez através do leito da antiga ferrovia que ligava Petrópolis a Raiz da Serra no Município de Magé.
Eu havia ficado responsável por chegar cedo no terminal Shopping Center no Centro de Duque de Caxias, porém quando consegui sair de casa as moças já encontravam-se no local, e eu muito atrasado. Peguei o ônibus da linha Parque São José – Duque de Caxias, durante o caminho Tatiana ligou-me acho que duas vezes para puxar-me as orelhas devido ao meu atraso. Chegando no Centro de Duque de Caxias, fui as pressas ao encontro das duas.


Fomos então até a Av. Duque de Caxias em frente a Estação de mesmo nome, embarcamos no ônibus da linha Piabetá – Duque de Caxias (viação machado), uma hora depois estávamos no terminal rodoviário Prefeito Renato Cozzolino em Piabetá. Onde pegamos um ônibus rumo a Petrópolis, chegando no Alto da Serra, caminhamos um pouco... paramos em uma padaria para tomarmos um "pingado" e "tirar água dos joelhos". Então partimos pela antiga Estrada União e Indústria, ou seja, ziguezagueando até o encontro com a rua onde anteriormente passava o trem.

Ao contrario do tempo na Baixada Fluminense, o clima lá em Petrópolis estava chuvoso e frio com muita neblina. Paramos por tempo no antigo pontilhão da ferrovia, conhecido atualmente como Ponte da Grota Funda. Continuamos descendo até chegarmos na terceira ponte onde encontramos um senhor, chamado Antônio que levou-nos até o Caminho do Ouro e a um córrego próximo, passado alguns momentos nos despedimos do nobre morador local. Quando percorremos nossa trilha serra baixo podemos avistar uma maravilhosa paisagem no entorno. Até que chegamos na localidade do Meio da Serra (divisa dos municípios de Petrópolis e Magé), e avistamos sua vila operária (pertencente a antiga fábrica cometa)e sua antiga estação, onde descansamos um pouco.
Ao sairmos da estação alcançamos a antiga Estrada União e Indústria, percorremos parte de seu trecho até que voltamos ao leito da antiga ferrovia desativada e em 20 minutos estávamos no cachoeira de Raiz da Serra, onde ficamos por quase duas horas.

Nos dirigimos a estação de trem de Raiz da Serra onde embarcamos com destino a Piabetá. Em Piabetá lanchamos na sorveteria Kaikó, onde ficamos por quase uma hora. Embarcamos na rodoviária de Piabetá rumo a Duque de Caxias, onde terminou nossa aventura no terminal Shopping Center, onde Mariana e Tatiana pegaram seus ônibus com destino as suas casa e eu voltei para casa.